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Especial 27 Anos de Emancipação Política de Cotiporã

Cotiporã

Os índios guaranis já sabiam - é um lugar 'casa' / coti, 'bonito' / porã.

Em homenagem à região da Itália de onde vieram a maioria dos moradores, chamou-se de Monte Vêneto, nome este que foi trocado durante a Segunda Guerra Mundial quando os imigrantes foram perseguidos e os moradores locais buscaram esconder as suas raízes. Cotiporã é uma cidade formada por construções antigas que mantém em suas fachadas o nome de origem. Esta maravilhosa cidade está encravada entre montanhas feito pedra rara, feito jóia, a 'Jóia da Serra Gaúcha' como é assim denominada.

A cultura, as belezas naturais, a gastronomia... Tudo em Cotiporã é atrativo e de alta qualidade. Embrenhando-se pelos pinhais da Serra Gaúcha, em meio a fascinantes quedas d'água, conquistando a imensidão de cânion e percorrendo a força de várias corredeiras, encontramos Cotiporã, Município membro da Atuasserra e do projeto Caminhos Verdes. No Município, são realizadas mais de 20 sagras no decorrer do ano. São festas animadíssimas, com jogos e comidas típicas.

Como todo bom religioso, o povo de Cotiporã construiu inúmeros capitéis para agradecer aos seus santos. São mais de 30 santuários espalhados pela região, cada um com a sua arquitetura própria, construída pelos próprios camponeses com detalhes ricos e muita fé.

Tudo impressiona muita em Monte Vêneto, como é chamada carinhosamente a cidade de Cotiporã, mas nada é tão significativo como a preservação de sua arquitetura colonial italiana. São muitos casarões, uns de madeira, outros de pedra e de alvenaria. Inclusive no Livro do Cinqüentenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, data de 1925, todas as fotos extraídas do local continuam até hoje, e se depender do seu povo, até a eternidade. Aqui preservar esta no sangue, o povo orgulha-se muito da sua origem européia, de sua cultura, de sua simplicidade e de seu modo de viver.

Cotiporã possui um dos museus mais completos dos imigrantes italianos, o acervo é riquíssimo. O comentário de um visitante resume bem Monte Vêneto. "Aqui tudo é diferente, a língua, os hábitos, a gastronomia, o relevo, o clima, as pessoas. É como estar na Itália sem sair do Brasil, sem apresentar passaporte e sem gastar muitos dólares". Cidade privilegiada com locais ideais para a prática de ecoturismo e turismo aventura, onde os vales despertam cobertos por um enigmático nevoeiro, e, acima deste, desponta o cume do Morro do Céu.

Atrativos

Trilhas Ecológicas

Trilha das Lontras
Distante 6 quilômetros da cidade de Cotiporã, por estrada trafegável de chão batido, encontra-se o Centro Interpretativo da Trilha das Lontras. Uma construção típica do período do apogeu da Imigração Italiana, em madeira de pinheiro brasileiro, pertencente à família Carlesso. Deste local, tem-se o ponto de partida da Trilha das Lontras. É um trekking pelo vale do Arroio Vicente Rosa - este arroio possui muitas quedas d' água, o que justifica uma das maiores concentrações de moinhos d'água da imigração italiana, com nível de dificuldade médio e extensão de 5.725m, concluídos em 4 horas. O trekking é feito na mata ombrófila - relativo à sombra - mista e ciliar, sendo, na sua maioria, mativa com pouca ou nenhuma influência do homem. Proporciona banhos de cachoeira e educação ambiental, com a exigência de guias especializados para conduzir. Formação rochosa peculiar, originada de derrames basálticos na era mesozóica, período cretáceo, aproximadamente a 136 milhões de anos. É um cerro testemunha por destacar-se isolado no relevo, circundado quase totalmente pelo Rio das Antas. A denominação de Morro dos Baianos deveu-se ao fato de antigamente ser habitado por negros, chamados de baianos pelos descendentes de italianos. Há, no local, vestígios de um antigo cemitério desta comunidade e ruínas de suas habitações. O platô do morro possui 70 hectares de mata nativa, exige guias especializados, e atingindo os mirantes tem-se vistas maravilhosas.

Cascata dos Marin
Grandiosa queda de águas límpidas, localizada no Arroio Sapatinho, com fácil acesso, distante apenas 6 quilômetros do Centro. No local existem vários mirantes para apreciá-la de muitos ângulos. Perto da cascata moram as famílias Marin, produtores de queijos e copas. Enquanto apreciam as quedas, outros se banham nas águas cristalinas, podem-se visitar os Marin para a compra de produtos coloniais. O passeio inclui passagem pelo alambique artesanal onde é feita a cachaça de cana-de-açúcar, com explicações e degustação.

Salto do Carreiro
A aventura começa bem antes do salto, são 22 quilômetros por estradas coloniais dos bucólicos Municípios de Cotiporã e Fagundes Varela. No caminho, atravessa-se a ponte do Arroio Vicente Rosa, vales com vegetação exuberante, capitéis, construções do estilo colonial italiano e muito verde. Não será difícil encontrar animais silvestres cruzando as estradas. O Salto do Carreiro é uma formação geológica sobre a dura rocha basáltica. Em um curto trekking de 15 minutos pela mata ciliar do Carreiro, pode-se admirar o belo estreito do rio, a grande queda d'água do Rio Carreiro, quase sempre formando um arco-íris e profundos poços cavados na rocha. Na volta do trekking, na Casa Conte, os artesanatos em palha de milho e os doces caseiros deixam todos com água na boca. Essa formação geológica que chamamos de Salto do Carreiro é uma das mais interessantes do Rio Grande do Sul.

Grutas

Gruta Nossa Senhora de Lourdes
Localizada na capela de Nossa Senhora de Pompéia, trata-se de uma formação interessante.
A Gruta possui a imagem de Nossa Senhora de Lourdes e, neste local, no dia da festa em honra a esta santa, faz-se a procissão até esta gruta. A distancia da capela até a gruta é de 500 metros.

Gruta de Quartzo
Está localizada no centro da cidade, próxima ao Hospital Nossa Senhora da Saúde. É totalmente feita de quartzo. Possui uma beleza ímpar e abriga imagens de santos.


Dados
Município: Cotiporã
Cep: 95335-000
DDD: 54
Prefeito: Constante David Bianchi
Vice: Valdir Falcade
Prefeitura: Avenida Silveira Martins, 163, Centro
Fone/fax: 3446-2800, 3446-1144, 3446-1150
Horário de funcionamento: 7h30min às 11h30min
Distência do Município da Capital: 155 quilômetros
Distância dos Municípios vizinhos: Norte-Fagundes Varela: 18 quilômetros, Sul-Bento Gonçalves: 35 quilômetros, Leste-Veranópolis: 20 quilômetros
Rodovias de acesso: RS-359 e RSC-470
Data de emancipação: 12 de maio de 1982
Padroeira do Município: Nossa Senhora da Saúde

Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde
Nossa Senhora da Saúde é a padroeira de Cotiporã, e a igreja é belíssima, sua construção foi iniciada por volta de 1907. A pintura interna é conservada, possui imagens de santos trazidos da Itália. Em novembro é realizada a festa maior de Nossa Senhora da Saúde.

Sagras
São mais de 25 festas nas capelas do interior do Município, onde após se deslocar faz-se 'tour' pelo interior, e depois é só deliciar-se com a comida típica local.

Surge a idéia da emancipação

A idéia de emancipar Cotiporã, então segundo distrito de Veranópolis, surgiu no final da década de 1970 no Hotel Veraneio, nas reuniões do Lions Clube. Fato importante e decisivo para a emancipação foi a união das forças políticas e do povo de Cotiporã, para a heróica e difícil empreitada. Já na eleição anterior a 1982, o Comitê Pró-Emancipação de Cotiporã solicitava votos para candidatos que fossem emancipacionistas. Foi entregue um folheto - reproduzido abaixo - a todas as famílias, lembrando que a emancipação traria progresso e melhores condições de vida para todos. A campanha de emancipação mobilizou todas as pessoas e o resultado do plebiscito de 9 de maio de 1982 foi de 92,17% dos cotiporanenses votando no 'sim'.

"O Comitê Pró-Emancipação de Cotiporã, que está trabalhando há bastante tempo, lança um apelo a todos os cotiporanenses que querem o progresso desta terra para que fiquem unidos em torno de um ideal comum, tendo em mente que é a união que faz a força, prestigiando, nas eleições de 15 de novembro, somente o nome daqueles que estão trabalhando conosco para que Cotiporã se torne um dos novos Municípios gaúchos. Lembrem-se que, com a emancipação, teremos mais e melhores estradas, mais pontes, teremos aqui uma Prefeitura, Coletoria Estadual e Federal, Delegacia de Polícia, Corsan, Ciretram, Posto de Saúde, teremos bancos, mais escolas e prédios escolares, conforme convém a uma sede municipal. Teremos mais empregos e melhores condições de trabalho para todos. Enfim, é o progresso. O nosso comércio receberá o impulso que lhe está faltando. Teremos aqui um prefeito cotiporanense, que conhecerá os problemas locais e, quando Município, teremos condições de exigir do Governo o atendimento de nossas justas reivindicações. Mas, enquanto formos distrito, pouca atenção continuaremos a receber. Esqueçamos os pequenos favores pessoais e, juntos, pensemos no bem comum. Prestigiemos os que estão nos ajudando na luta pela emancipação. Desfraldemos a bandeira da independência, mostrando que somos um povo que sabe o que melhor lhe convém. É agora ou nunca!"

A emancipação virou notícia

Os jornais da época retrataram a luta de Cotiporã para buscar o antigo sonho da emancipação. As notícias principais eram sobre a Guerra das Malvinas, no Atlântico Sul, entre argentinos e ingleses, mas, para os cotiporanenses, a guerra da emancipação era travada nas constantes reuniões da Comissão Emancipacionista, em Cotiporã, nas salas e corredores da Assembléia Legislativa Gaúcha, nas dezenas de viagens à Capital, nas conversas e apelos aos deputados, na busca das provas das condições econômicas e sociais de Cotiporã, nos sobressaltos e temores de mandados de segurança, nos possíveis impedimentos e entraves na Assembléia Legislativa, Municípios vizinhos e TRE. Mas tudo foi superado pelas forças vivas e atuantes e a população de Cotiporã, culminando com a assinatura da Lei Estadual 7.652, de 12 de maio de 1982, do então governador Amaral de Souza, que criou o Município de Cotiporã.

Em 21 de novembro de 1979, a Comissão Pró-Emancipação foi recebida pelo presidente em exercício da Assembléia Legislativa, deputado Américo Copetti, a quem fez a entrega da documentação necessária à emancipação. Estiveram presentes Henrique Bergamin, presidente da comissão, Victorino Ângelo Dalmolin, vice, vereadores Dalmo Scussel e Eraldo José Fellini, acompanhados pelos deputados Lóris Realli, Antenor Ferrari e Victorio Trez, todos representantes da região. Presente, ainda, o deputado Nivaldo Soares, encarregado de estudar a documentação.