1º a 11 de fevereiro de 2005 - Fotos de Jornal Panorama Regional

Festa em Honra a Nossa Senhora de Lourdes - 2006 - Veranópolis

Caminhada de reflexão e fé pela vida

Foto: Divulgação

Através da história das romarias de Lourdes, que nos foi passado, sabemos que em 1906 casais vinham de Antônio Prado a pé, para louvar e agradecer à Virgem. Neste ano, na 64ª romaria, coincidência ou não, dois romeiros fizeram este mesmo trajeto de 42 quilômetros, a pé. Valdemir e Guilherme Guzzo saíram no dia 10 de fevereiro, às 6h da manhã, chegando em Veranópolis às 17h do mesmo dia. Valdemir é natural de Veranópolis, morando atualmente em Antônio Prado. Foi funcionário do Banco do Brasil por 30 anos, e desde 2002 atua na UCS no Departamento de Filosofia e Educação. Valdemir é casado com Dirce Brambatti Guzzo e pai de Guilherme, seu companheiro nesta jornada, e Natália. A seguir transcreveremos o relato desta caminhada, em depoimento dado à reportagem do Jornal Panorama Regional.

"Este percurso já vinha sendo amadurecido há alguns anos, mas não tinha sido possível ainda concretizá-lo. Não foi promessa, mas sim o anseio de realizar o trajeto como um grande desafio até de nossas forças físicas e psicológicas, aproveitando este raro momento para uma reflexão sobre nossas vidas e das coisas ao nosso redor. Vivemos num mundo onde tudo acontece rápido demais, então percorrer pacientemente uma estrada de chão com seus percalços, e depois o asfalto sob um sol escaldante, talvez tenha sido o nosso maior desafio. Fisicamente não foi tão difícil, pois fazemos caminhadas quase que diariamente, mas fica o alerta de que é necessário um bom preparo físico e estar bem de saúde para realizar um percurso dessa proporção. Meu filho Guilherme estuda Biologia, tendo um contato forte com a natureza, e ficamos surpresos e entristecidos ao nos depararmos com a enorme quantidade de lixo jogado nas valetas da estrada e nas beiradas do trajeto pelo asfalto. Outro aspecto que nos chamou a atenção foi a velocidade e ultrapassagens perigosas de alguns carros, colocando em risco outros viajantes como também a nós mesmo, que caminhávamos na beirada do asfalto. Deixando de lado esses pormenores, o que fica de primordial é que necessitamos de tempo para refletirmos sobre as passagens de nossas vidas, a convivência com os que nos rodeiam, a importância de nossa família, amigos, trabalho, colegas, alunos. Realizando assim um balanço de nossa existência e de como agimos frente a nossa trajetória aqui na Terra, que por vezes não damos o devido valor. Minha mãe Emma, do alto de seus 86 anos de paciência e sabedoria, estava nos esperando com o tradicional café, acompanhado de um delicioso bolo por ela preparado, e isso nos dava mais forças para continuar. Tive a oportunidade de comentar com o Guilherme durante a caminhada de como eram bonitas as festas de Lourdes na época do 'caramanchão' na Praça XV, bela lembrança das bandas que ali tocavam, da gostosa salada de frutas, do bingo, dos bilhetinhos trocados entre os jovens. O movimento da praça da Matriz só cessava na hora do Cine Dom Vital, mas depois da sessão as pessoas continuavam a se reunir para um bom bate-papo, inesquecível tempo. No último dia 10 fizemos uma caminhada diferente, caminhamos em prol da vida, valorizando a nossa como também a do nosso próximo. Sabemos que existem inúmeras dificuldades a serem enfrentadas, mas que somos capazes de superá-las, como superamos as dores musculares, as bolhas e o cansaço físico. Teve um momento em que achamos que não íamos conseguir chegar, mas chegamos, realizando nossa meta de superação e fé. Um agradecimento muito especial a minha esposa e filha, pelo apoio e incentivo externo durante todo o nosso trajeto, reforçando a idéia de que não estamos sós, e somos seres voltados para a alteridade. E o nosso obrigado pela rececpção, que não esperávamos, em frente à Gruta, dos Freis Álvaro e José, e dos festeiros de Lourdes. Se conseguimos, de alguma maneira, que as pessoas reflitam sobre suas vidas e a dos demais, com certeza o mundo será a cada dia melhor".