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História da Femaçã

Carta escrita por José Bin mostra a entrada da maçã no Brasil, especificamente em Veranópolis.

"Comprei uma maçã no mercado Zampreta, em Veranópolis, no ano de 1935, esta maçã veio da Califórnia. Desta fruta, saborosa, eu plantei a semente e consegui que sobrevivesse um pézinho, o qual foi enxertado, de onde consegui uma qualidade especial, porque não murcha e não perde o peso depois de muito tempo guardada. Fazia questão que a maçã recebesse o nome de José Bim, este seria o meu desejo e creio que será atendido, mas não é querer muito, mas gostaria, não por mim, mas por meus filhos, netos e bisnetos. Quero que fique de seu conhecimento que também consegui uma qualidade de trigo que recebeu o nome de trigo Lageadinho, no ano de 1930, mais ou menos, diz o dr. Ozório Carneiro que o trigo é de boa qualidade.

Assinado, José Bin"

1ª Festa Municipal da Maçã - Lageadinho - 23 a 30 de maio de 1971

A Festa da Maçã nasceu de uma pequena semente lançada em Lageadinho. Enquanto todos os Municípios vizinhos, a exemplo da Festa da Uva em Caxias do Sul, organizavam suas festas turísticas e folclóricas, os veranenses angustiavam-se para escolher um motivo agrícola que fosse diferente e exclusivo de Veranópolis. Em 1969 o padre Sabino Giongo foi nomeado capelão de Lageadinho, onde constatou a comercialização das primeiras maçãs e o entusiasmo dos moradores em plantar milhares de pés de macieiras que se originaram de uma única semente, tirada de uma maçã vinda da Califórnia e plantada por José Bim. Assim nasceu a idéia de realizar a Festa da Maçã, juntamente com a festa do padroeiro de Lageadinho, São João Batista, para que depois pudesse imigrar para a sede do Município. Esta idéia empolgou o então vereador da comunidade, Guerino Cosmo Rigon, que igualmente empolgou a diretoria da Capelania de Lageadinho, constituída por Egidio Bortoli, Valdomiro Bernardi, Sigisfredo Bavaresco e Eugênio Bim. A idéia mereceu o apoio e a aprovação do vigário, frei Armando Grison, e do prefeito da época, Nadir Mário Pelegrino Peruffo.

Para realizar a festa era preciso agir, e pensou-se então na construção de um amplo salão. A comunidade reuniu-se e de comum acordo foi aprovado o projeto. A colheita do mês de maio de 1971 prometia ser promissora, e o salão já oferecia condições para a realização da festa, onde até então a comunidade de Lageadinho realizava a sua Festinha da Maçã, singela, simples, mas expressiva, porque o que não faltava era maçã, e o visitante saía satisfeito, acima de tudo porque comia bem e não era 'explorado'. Após os trâmites legais, a data escolhida para a 1ª Festa da Maçã foi de 23 a 30 de maio de 1971. Para abrilhantar a festa, foi escolhida como Rainha Ieda Maria Bortoli, e como Princesas Helena Polesello e Ivete Bavaresco. Tudo pronto, já tinham sido comprados vinte e cinco mil quilos de maçãs, foram confeccionados os convites e enviados às autoridades, e o vereador Guerino empenhou-se e conseguiu trazer a Lageadinho o então Governador do Estado Euclides Triches. Ele se fez presente e abriu a exposição às 14h do dia 23 de maio de 1971, e a 1ª Festa da Maçã, embora quase improvisada, ultrapassou toda a expectativa, e um dos fatores decisivos que contribuiu para o sucesso foi a divulgação realizada pela Rádio Veranense.

 

Ao encerrar os festejos, na missa irradiada do dia 31 de maio de 1971, o capelão Sabino Giongo, em nome da comunidade de Lageadinho e da comissão da festa, agradeceu ao prefeito e aos demais que contribuíram para a realização, e fez votos para que a próxima festa fosse estadual. Diante do sucesso da 1ª Festa da Maçã, a comunidade de Lageadinho viu-se pequena e sem infra-estrutura para atender a enorme afluência dos visitantes. Em vista disso, tudo fazia ver que a próxima festa haveria de acontecer na sede do Município. Mas isso em nada vinha a desmerecer a glória dos pioneiros, pelo contrário, eles trouxeram mais um título às terras veranenses - 'Terra da Maçã'.
Fonte: Biblioteca Municipal de Veranópolis e documentos de Severino Primieri

1ª Festa Estadual da Maçã

Esta festa realizou-se de 26 de maio a 13 de junho de 1973 na parte térrea do Seminário Seráfico São José de Veranópolis, tendo como presidente Alcides Cervelin, Imperatriz Clarice Farina e Princesas Sonia Maria Cenci e Hilda Bisatto. O prefeito da época era Lírio Soares. Em 26 de maio de 1973, Veranópolis engalanou-se para a inaguração da 1ª Festa Estadual da Maçã e 1ª Festa Industrial, que contaram com a presença do Governador do Estado Euclides Triches, autoridades federais, estaduais e municipais, além de numerosos convidados das cidades da região. O evento simbolizou o rompimento da monocultura da uva e o primeiro passo para a diversificação agrícola, buscando, paralelamente, mais intenso desenvolvimento industrial e turístico através do aproveitamento racional das potencialidades naturais e humanas de um dos mais belos e acolhedores recantos do Rio Grande do Sul. Neste mesmo ano a comunidade de Lageadinho, pioneira no cultivo de maçãs, atingiu aproximadamente 300 toneladas de produção, e achava-se que esta produção iria aumentar consideravelmente nos anos vindouros, principalmente pelo entusiasmo com a Femaçã.

1ª Festa Nacional da Maçã

2ª Festa Nacional da Maçã

A segunda Festa Nacional da Maçã aconteceu de 11 a 20 de maio de 1979, nos Pavilhões da Femaçã. Teve como presidente Moacir Durli, Imperatriz Nálvia Guzzo e Princesas Maira Peruffo e Rosane Fochesatto. O prefeito municipal da época era Nadyr Mário Pellegrino Peruffo. Um grande número de pessoas se fez presente na abertura oficial da festa, que contou com a participação de autoridades regionais e estaduais.

3ª Festa Nacional da Maçã

A princípio esta festa estava prevista para maio de 1982, mas foi adiada por decisão do Conselho da Femaçã. O motivo foi uma minuciosa análise das dificuldades pelas quais passavam as empresas locais expositoras, e assim a terceira Festa Nacional da Maçã aconteceu no ano de 1984 de 14 a 24 de maio, sendo seu presidente Sérgio Antonio Farina, na época o maior empresário na produção de maçãs de Veranópolis. A Imperatriz desta festa foi Maria de Lourdes Costi e as Princesas eram Adriana Ambrosi, Jussara Andreolio, Rosane Bristot e Simone Chiaradia. O prefeito da época era Elias Ruas Amantino.

4ª Festa Nacional da Maçã

A quarta Festa Nacional da Maçã aconteceu de 11 a 21 de abril de 1986. Teve como presidente Nicanor Matiello, Imperatriz Margarida Orso e Princesas Adriana Regina Faccin Rodrigues, Leila Ambrosi, Roseli Camatti e Zalenca Zanella. O prefeito era Elias Ruas Amantino. Para esse evento foi criado o logotipo oficial da Femaçã. Um grande número de pessoas aguardava em frente aos Pavilhões da Femaçã a chegada de autoridades municipais, regionais, estaduais e federais para a abertura oficial. Foram dias marcados pela emoção de bem receber os visitantes, pois o povo veranense se engajou para que esta festa fosse um sucesso. Além da Imperatriz e Princesas, várias recepcionistas foram devidamente preparadas por Ivar Caser, com cursos de etiqueta, postura e conhecimentos gerais sobre Veranópolis e sua história, para bem recepcionar quem visitasse o evento.

Além da comercialização da maçã, houve ainda a venda de produtos artesanais por parte dos stands expositores. Dentro das festividades da 4ª Festa Nacional da Maçã aconteceu o festival Serra, Campo e Cantiga, nos dias 11, 12 e 13 de abril de 1986, no Cine Imperial, com músicas nativistas. Com apoio do Ministério da Agricultura, foi construida uma câmera fria para estocagem das frutas, idéia esta do presidente da Femaçã, Nicanor Matiello.

5ª Festa Nacional da Maçã

De 21 de abril a 1º de maio de 1990 aconteceu a quinta Festa Nacional da Maçã, sob presidência de Agenor Abruzzi, com Imperatriz Cinara Andreolio e Princesas Paola Carrilo Valduga e Valquíria Reali. O prefeito era Leonir Antônio Farina. A abertura oficial contou com a presença do governador Sinval Guazzelli e demais autoridades. Durante a festa foram oferecidos as mais variadas delícias provenientes da maçã, desde os vinhos até os doces e tortas. Com stands de vários produtores da região, Feira Agroindustrial, comidas italianas, Festival de Coros, shows e festas dançantes, entre outras atrações. Com desenho de Osorio Tomasi, foram colocados pórticos alusivos à festa nos acessos da cidade - os dizeres convidavam os visitantes a provarem o sabor da terra, Berço Nacional da Maçã.

Com publicidade reduzida e o cansaço da população regional para esse tipo de evento, a 5ª Festa Nacional da Maçã conseguiu se manter graças à boa programação artística, uma vez que promovia um ou mais shows por dia, e aproximadamente 50 mil pessoas visitaram os pavilhões.

6ª Festa Nacional da Maçã

A sexta Festa Nacional da Maçã e Feira Agroindustrial e 1ª Feira de Artigos Esportivos aconteceu de 15 a 24 de abril de 1994. Seu presidente foi Volcir Pasuch, Imperatriz Caroline Reschke Dalla Coletta e Princesas Luciana Waldemarca e Danuza Zanella. Com a presença de autoridades, um grande número de pessoas aguardava a abertura oficial da festa, além da expectativa de visitar os Pavilhões da Femaçã e ver as novidades que esta edição trazia.

Esta festa objetivou além da comercialização da maçã e dos produtos agroindustriais, divulgar os setores, incentivando a produção de bens voltados ao esporte e a conseqüente expansão do mercado, já que o Município contribuía com uma parcela significativa desses produtos em âmbito nacional por ser responsável pela produção de bolas, armas de caça, tênis, abrigos e uniformes esportivos, entre outros, através das grandes, médias e pequenas empresas.

Ano de 2008 - A maçã novamente é uma festa!

Uma cidade, um povo, novamente engajados em prol de resgatar a sua festa, a Festa da Maçã. Veranópolis, cidade de raras belezas, desenhada com carinho e esmero pelo desenhista supremo, Deus! Amada és e serás sempre, oh linda Princesa dos Vales, vales estes que te antecedem dentre linhas curvas, descidas e subidas, ladeado por um vasto verde, serpenteado pelas águas do Rio das Antas, maravilhando o olhar daqueles que se privilegiam em te conhecer. Possui dois arcos que recepcionam os que nela desejam entrar, abraçando sem restrições nem distâncias, de coração aberto e sinceridade no olhar, marca esta de um povo heróico, desbravador, trabalhador, de desafios, lutas e vitórias, de mãos incansáveis, onde seu suor foi e é semente germinante em prol da pujança de teu progresso. Destaque és ainda, dentre tantas coisas, por seres a Terra da Longevidade, da comida farta, do bom e saboroso vinho, das reuniões familiares, do VEC, time do peito, da fé inabalável em Nossa Senhora de Lourdes, do calor humano, das ruas bem cuidadas, da Praça da Matriz ladeada de verde, de seu enigmático, mágico, prazer de ficar a observar as rodas de chimarrão em finais de tarde, aos sábados, aos domingos, do som do sino da Igreja Matriz São Luíz Gonzaga a convidar a orar, das badaladas de seus relógios avisando os desavisados da hora de se aprumar, o tempo urge e não pode esperar! De seus bancos a apoiar tantos que neles só desejam sentar e pensar, meditar! No fechar dos olhos, sons... o vento a balançar folhas, pensamentos impregnados pelo perfume das flores, trazendo ao semblante, por hora cansado de um dia de labuta, um leve sorriso, um novo olhar, tornando novamente possível o reaprender a ouvir a música do mundo e, que por demais que sejam as adversidades, os tropeços, nesta amada terra veranense nunca estaremos sozinhos, pois em algum lugar deste recanto abençoado existe e sempre existirá alguém e que este alguém nos espera, nos encontra... Não espere, encontra-te, visite-nos!
O povo veranense te espera de braços abertos para a 7ª Femaçã - O Sabor da Longevidade e 7ª Feira Agroindustrial. Sejam todos muito bem-vindos!
* Sonia Maria Peruzzo, escritora

Veranópolis e suas denominações

Pela etimologia do termo, Veranópolis é 'cidade veraneio', também denominada Imperatriz dos Vales, privilegiada pelas belezas naturais do Vale das Antas. Veranópolis localiza-se na Serra Gaúcha, a 705 m do nível do mar, entre os Municípios de Bento Gonçalves e Nova Prata, fazendo também fazendo divisas com Vila Flores, Cotiporã e Fagundes Varela. Colonizada por imigrantes italianos em 1884, já foi chamada também de Roça Reúna, Benjamin Constant e Alfredo Chaves, até sua emancipação em 1898, já então com o nome atual. Em 1976, foi cognominada 'Capital Nacional da Maçã', passando depois, pela infuência dos engenheiros agrônomos, a se chamar 'Berço Nacional da Maçã'. Hoje, Veranópolis é conhecida como a Terra da Longevidade, visto que, por pesquisa da ONU, Veranópolis é a segunda cidade brasileira e a quarta do mundo onde se vive mais.

As Femaçãs

Os objetivos a serem consolidados na realização da Festa Nacional da Maçã eram incentivar o cultivo e melhoramento da qualidade, substituir, em parte, a tradicional parreira por produção mais rentável, economizar divisas evitando a importação, despertar o interesse e explorar o turismo utilizando a maçã, com formação de uma consciência local para melhor aproveitamento das terras da região, fixação do homem no meio rural, depertando o homem do campo para as grandes possibilidades que tem a fruticultura racional e tecnicamente conduzida.

Até que ponto esses objetivos foram atingidos?

De qualquer forma, a realização da Festa Nacional da Maçã conseguiu envolver a comunidade tanto do meio rural como o urbano. Os próprios estudantes, ao longo dos anos, foram beneficiados através das palestras instrutivas conscientizando sobre a necessidade do consumo de frutas de modo geral, e da maçã de modo particular, uma vez que é rica em sais minerais e vitamina C, além de seu alto teor alimentício, auxiliando na digestão.

Veranópolis, Capital Nacional da Maçã

A cultura da maçã foi introduzida na localidade de Lageadinho pelo agricultor José Bin. Veranópolis foi considerada a Capital Nacional da Maçã pelo seu pioneirismo no plantio de tal cultura em todo o território. Produz-se as variedades Gala, José Bin - pioneira, Golden Dellícius, Melrose, Mutsu e Red Dellícius. A Estação Experimental de Veranópolis desenvolveu ampla pesquisa de variedades de maçãs. Ela foi a primeira estação experimental do Brasil, e berço da triticultura nacional.

Pavilhão da Femaçã

O Pavilhão da Femaçã foi construído no ano de 1976 e inaugurado pelo presidente Ernesto Geisel, por ocasião da 1ª Festa Nacional da Maçã, localizado nas proximidades do Aereoclube de Veranópolis e da residência do falecido poeta e escritor veranense Mansueto Bernardi, fazendo fronteira com o Clube Caça e Pesca. Em estilo moderno, foi implantado numa área de 44 mil metros quadrados, e sua área construída é de 2.900 metros quadrados, servindo como palco de competições esportivas, shows, bailes, festivais e outros acontecimentos.
Fonte: 'História de Veranópolis' de Geraldo Farina, e Biblioteca Municipal de Veranópolis